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domingo, junho 19, 2011

Tudo Aquilo que Somos

  Algumas pessoas criam sua própria história em cima da realidade. Perdem tempo imaginando cenas, lugares e inventando sentimentos que nunca existiram.  E esse é justamente o grande problema dos que (se) enganam. Depois de um tempo falando mentiras, eles mesmos acabam acreditando nelas.
A verdade é que gente tem mania de querer explicação pra tudo que acontece na vida. Inventamos motivos e desculpas para que as coisas simplesmente façam algum sentido. E quer saber? Nunca fazem.
  Pensar e escrever sobre a vida ou sobre o amor é algo abstrato demais.  Nem tudo precisa ser compreendido agora. Esse texto por exemplo, pode não fazer nenhum sentido pra você hoje e amanhã, quando o ler de novo, pode dizer tudo. Ao contrário do que andam dizendo por aí, o tempo não cura nada, apenas ensina.
  Ensina que você pode sumir por uns tempos e voltar, mas nada do que foi será como já foi um dia. Que mesmo que você torne o passado presente, ele jamais será como nas suas lembranças.
Ensina que você pode cavar um buraco bem fundo na areia do mar, e enterrar por lá todas as suas mágoas e frustrações. Mas, uma hora ou outra, alguém sem saber (ou por querer) vai cutucar. E vai doer.
  Ensina que você pode até ter saudades de algum momento importante da sua vida tipo formatura, casamento, aprovação no vestibular, mas o que realmente vai doer numa tarde cinza de domingo, é a saudade dos momentos mais simples como por exemplo, sua mãe te chamando pra acordar, do seu pai te levando para a escola, das implicâncias do seu irmão, do caminho pra casa com os melhores amigos e da sua avó fazendo gracinhas pela casa.
  Ensina que o que destrói ilusões e constrói o que está por vir é a  necessidade secreta de cada um. Aquela que alimenta a vontade de correr riscos, de fazer o impossível e o oposto do que achamos certo. Pra depois quebrar a cara e dar risada de tudo isso.
  Ensina que a vida continua, com ou sem você.
Bruna Vieira

sábado, abril 30, 2011

O Estranho Sumiço das Borboletas

Dizem que grandes jardins floridos atraem pequenas borboletas
Não concordo
Não funciona comigo
Sou um tipo diferente, uma nova espécie.
Gosto de ficar longe, apenas admirando as flores
Elas se tornaram enjoativas de perto
cores sabores aromas
tudo igual, sempre igual.
Vivo feliz aqui no céu.
Onde espinhos parecem invisíveis
e formigas inofensivas.
onde o vento
não me deixa ter certeza de nada.
Sou uma borboleta diferente de todas as outras
Não acredito em para sempre
só gosto de voar.

Bruna Vieira

sábado, abril 16, 2011

O tempo e a falta!

Sempre me disseram que se deve ser feliz de dentro pra fora. Pois se é assim, então eu não sou. Eu guardo sentimentos ocultos. Eu guardo melancolia. Eu alimento minhas nostalgia.
E em dias como hoje, desenterro todo o meu passado e brinco de voltar no tempo com as palavras. De mudar o que já acabou. De eternizar o que nem durou.
Talvez a vida seja mesmo isso. Guardar sentimentos.
Eu só não consigo entender como as pessoas conseguem com o tempo, simplesmente se desfazer de tudo isso. O tempo pra mim, não muda nada:  Deixar as coisas mais distantes só faz com que a minha vontade de alcançá-las aumente.
Sinto saudade de tudo aquilo que já passou. De todos os cheiros, de todos os erros e de todos os medos. Dos amigos que se foram. Dos idiotas que me fizeram aprender o que é sofrer.
Sinto falta de caber no banco de trás do carro dos meus pais. Do meu primeiro colégio e das suas exigências sem fundamento. Da minha professora do infantil que me faz acreditar que eu era diferente.
Sinto falta de tudo aquilo que tive que deixar, de tudo aquilo que me deixou antes mesmo de chegar. Dos abraços e das lágrimas que eu não deixei cair. Da cor do meu quarto quando o sol batia pela janela. Da música que tocava naquela viagem de família.
Mesmo sabendo o final da história, eu não faria diferente. Eu faria de novo. Pra sempre.
Bruna Vieira

domingo, agosto 22, 2010

Amor a Três


Essa história assim como a maioria das outras histórias de amor, se divide em três.
Quem ama, quem não percebe e quem sofre.
Gostaria muito de dizer que foi eu quem recebi as flores naquela tarde de domingo, mas não, não foi.
Acredite, pior do que amar um cara, é amar – também – a namorada desse cara. Não duvide da minha feminilidade, apesar de sentir uma forte atração por mulheres, gosto mesmo é dos homens – dos mais depilados, idiotas e sorrideis possíveis. O problema todo começou quando cruzei na esquina da amizade e atravessei para a rua do amor. Uma questão de melhor amiga, se é que você me entende. Não quero contar detalhes, até porque dar a minha versão da história faria de mim a pessoa mais santa e avulsa do mundo. Eu não sou assim. Bom, pelo menos não até costumava a me sentir como uma garota dramática que escreve. O problema é que Lutar contra a razão e a emoção tem acabado comigo. Sinto-me exausta antes mesmo de levantar da cama; fingir que não me importo tem gastado mais de mim do que eu posso, e ficar de longe para economizar não tem funcionado muito. Já pensei em possessividade, egoísmo, inveja, competição… Coisas de menininhas da minha idade; mas esses sentimentos não fazem parte do que eu sou, mas foram a maneira mais óbvia que encontrei de explicar o que sinto. Não faz sentido, mas ama-lo faz muito menos. Assistir o filme, opinar nas melhores cenas e não poder beijar o ator principal não é divertido. Na verdade, dói… E é esse sentimento incontrolável, que nasce no meu peito e escorrega até o ponta dos meus dedos.
Termina e recomeça toda vez que alguém lê esse texto.
Espero que a pessoa errada não leia.
Ou não.
Bruna Vieira

terça-feira, junho 01, 2010

Sobre coração, o meu


Eu sempre fui do tipo de garota que se apaixona. Antes dos cinco, não me imaginava sem meu travesseiro. Não era qualquer travesseiro, era o meu. O único. Tinha cheiro de alguma coisa, que nada mais no mundo tinha. Ele me entendia, e era mais que meu melhor amigo. Minha companhia de quanto minha mãe dizia não, ou quando me obrigava a dizer sim. Mas, eu tive que o deixar, ou ele me deixou. Não lembro.
Depois de algum tempo conheci o vitor, o idiota do sorriso mais bonito do mundo. Estou falando a verdade, eu não era a única que achava, a sala toda, até a professora. Tenho certeza absoluta que ela também era apaixonada por ele, disfarçava mal. Mas, também como não ser? Ele andava com os retardados mais velhos, e era o único que sorria para mim. Bom, pelo menos longe deles. Eu não ligava, nem ele. Eu o amava, e o namorava, e gastava seu nome em meu caderno. Ele não sabia, era secreto. Ok, eu cometi um erro. Contei. Ele nunca mais sorriu, nem longe, nem perto, nem em lugar nenhum. Perdi um amor por tentar contistá-lo. Mas, aprendi que algumas coisas não devem ser ditas, e nem mandadas dizer (se é que você me entende). Coisas desse tipo devem ser engolidas, até a digestão terminar. Até nascer a fome de novo, até o tempo passar.
As coisas costumavam a me deixar, até eu fazer isso pela primeira vez. Aconteceu na adolescência, ou no fim dela. Acredite, quando se deixa alguém uma vez, isso acaba se tornando viciante. Bom, pelo menos foi para mim. Vieram dezenas de outros caras, que sinceramente não merecem ter seus nomes nesse texto. Não conseguiram manter meu coração acelerado por muito tempo. Pisavam sempre no freio na segunda ou terceiro semana. Péssimos motoristas.
Morro de medo que as pessoas pensem que eu não presto, e que não entendam que minhas necessidades não são físicas. Eu não sou a puta do ensino médio que já ficou com todos os alunos da escola. Eu apenas necessito de adrenalina, e de alguém que realmente saiba dirigir um carro. Com velocidade, sem bater, sem frear.
Bruna Vieira

terça-feira, abril 27, 2010

Wish


Pele na pele, boca na boca,

agora eu posso voar sem sair do lugar,
Um toque, um suspiro, uma carícia.
O que era proibido se tornou viciante,
eu já não tenho o controle.
Você me faz sentir em queda livre,
e eu sei que não vai me deixar cair.
Seu corpo me atrai,
seu sorriso me mantem.
Eu ainda não sei onde podemos ir,
mas eu sei que é você quem vai me guiar.
Bruna Vieira

quinta-feira, abril 08, 2010

Palavras e estrelas


De todas as palavras que eu já contei para o vento

essas são as que eu jamais quero que ele espalhe,
as que eu realmente me importo.
De todas os poemas que já escrevi,
você é o verso que eu nunca vou esquecer.
Ainda me lembro de todas as vezes que eu consegui ver as estrelas,
mas só agora eu sei que posso tocá-las.

Bruna Vieira

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